Início Pecuária Agricultura Aquicultura Horticultura TV Criar e Plantar

Busca no Site

Seções

Eqüino


Alimentação do cavalo atleta

Cavalos de Corrida e de Salto

As realizações dos cavalos de corrida e de salto são determinados pela capacidade do seu aparelho circulatório e respiratório, seu estado hematológico, assim como da integridade do seu sistema muscular e esquelético. Através de treinamento, o rendimento dos distintos órgãos e tecidos (fomento) da perfusão sanguínea e da atividade enzimática, síntese e utilização rápida das reservas de glicogênio na musculatura e no fígado, eventualmente formação de massa muscular adicional) é mantido ou melhorado.

A alimentação cria a base necessária para estes processos.

A necessidade em Energia digestível (Ed) para cavalos de corrida até hoje só pode ser documentada por dados empíricos. Segundo vários levantamentos, animais para corrida de trote e galope durante treinamento e na época de corridas necessitam diariamente cerca de 120 MJ Ed. A necessidade dobrada com relação a manutenção não pode ser explicada somente pelo aumento no metabolismo durante corridas relativamente curtas, como mostra a tabela:

Tipo de Locomoção

Km\h1

KJ Ed/kg PV2

por  Km

por hora

Passo:    Lento

3-3,5

1,2-1,8

5

Rápido

5-6

1,8

10

Trote:    Suave

12

2,3

28

Médio

15

2,7

40

Rápido

18

3,2

58

Galope:  Médio

21

3,9

82

Rápido

30

5-6

165

Máximo

50-60

Até 40 3

 

1. Cavalos de 400-600 kg PV.

2. Cavalo e cavaleiro.

3. Estimativa indireta baseada na ingestão de energia.

Segundo Zutz e Hagemann, 1898; Jackson e Baker, 1983; Pagan e Hintz, 1986.

Parece que pela excitação geral também há um aumento no metabolismo de manutenção.

As rações utilizadas para cavalos de corrida na sua maioria são mais empíricas do que baseadas em dados científicos. A ingestão diária varia entre 80 e 170 MJ Ed e 500 a 1300 g de PBd (proteína bruta digestível). Também a quantidade de volunoso mostra variações consideráveis (2,5-11,5 kg/animal/dia).

A formação e composição da ração pode ser manejada de maneira diversa em cavalos de corrida, na dependência dos alimentos disponíveis, seus preços e adaptação dos animais. Mesmo assim é interessante observar algumas regras básicas:

A quantidade de volumoso

Deveria atingir 0,8-1,0% do PV, nunca um valor mais alto. Quantidades menores favorecem o aparecimento de distúrbios no trato digestivo (acido no seco, diminuição no apetite, diminuição na síntese de vitamina B) ou nervosismo devido a uma atividade mastigatória insuficiente. Por outro lado, quantidades excessivas devem ser cortadas por aumentarem o peso morto (preenchimento do trato digestivo) de uma maneira desnecessária (1kg de feno em comparação com 1 kg de concentrado pode aumentar o peso do conteúdo do trato digestivo em 2,5 kg).

Volumoso e sua qualidade

O volumoso deveria ser constituído de feno de gramínea rico em talos e de corte maduro (se possível primeiro corte), material bem seco e livre de pó. Mofo (mesma em pequena quantidade e localizado) torna o feno impróprio para animais atletas. Distúrbios nas vias respiratórias e eventualmente também na digestiva podem reduzir o rendimento. Feno de alfafa, trevo e esparceta (Onobrychis viciifolia) são inapropriados para animais atletas.

Concentrado

Deve ser composto em elementos ricos em carboidratos (aveia, milho) além de subprodutos de moagem de grão pode ser incluído em até 5% de gordura para estreitar a relação proteína: energia, diminuindo a proporção de amido e aumentado a densidade energética e também para reduzir o metabolismo e atividade microbiana ao nível de estomago e duodeno.

A relação PBd:Ed não deveria passar de 7:1 com teores suficientes principalmente em cálcio, fósforo, magnésio, sódio, cloro, selênio, vitamina E e B1. Essas exigências são melhor satisfeitas com um concentrado (fazer tabela 68), mas também com o uso de aveia e alimentos complementares específicos. A ração deveria ter uma alcalinidade positiva.

Similar ao volumoso, é necessário estipular exigências qualitativas altas para o concentrado. Aveia tem que ser livres de pó e fungos e quebrada não pode ser armazenada por muito tempo. O concentrado tem que ser armazenado em locais apropriados. Para aveia se aconselha uma limpeza prévia ao armazenamento.

A importância das fibras

Os cavalos em condições naturais, que vivem livres em grandes áreas, estão permanentemente ingerindo pequenas porções de alimentos volumosos. Sabiamente os europeus, quando confinaram, procuraram não privá-los desta necessidade espontânea. Por isso oferecem à vontade um alimento volumoso de baixo teor nutricional, tanto na forma de "cama", como eventualmente servidos em outros recipientes, tais como redes ou manjedouras.

Tal prática é aconselhável, pois se sabe que o consumo permanente de fibras, atendendo a uma necessidade fisiológica do animal, previne o aparecimento de cólicas e vícios, cuja ocorrência é muito maior, quando os animais já se encontram estressados pelo confinamento permanente. Este procedimento influi também no temperamento do cavalo, acalmando-o e permitindo um melhor relacionamento com os seus tratadores e usuários.

Desta forma também os grupos de animais que vivem nos piquetes de permanência precisam ter a sua disposição alimentos volumosos (fibras) de baixo teor nutritivo, oferecido em dispositivos especialmente projetado para esta finalidade, para que possam receber todos estes benefícios e desenvolver um perfeito relacionamento dentro do grupo.

Alimentação específica

O cavalo atleta deve consumir uma quantidade total de alimentos variável, de acordo com seu peso e intensidade de trabalho - de 2% a 3% do seu peso vivo por dia. Deste total, metade deverá ser de alimentos concentrados, representados por rações balanceadas ou misturas de grãos de cereais e a outra metade deverá ser de volumosos, tomando como base o feno de gramínea.

Os níveis de nutrientes dos alimentos precisam estar adequados, de forma que, nas quantidades fornecidas sejam capazes de atender as exigências nutritivas que os cavalos atletas precisam e que são as seguintes:

Peso vivo(kg) Quantidade de nutrientes por dia
Energia digestível (Mcal) Proteína(kg) Cálcio(g) Fósforo (g)
400 16-22,0 0,8 30 19
500 18 - 28,0 1,0 34 23
600 24 - 36,0 1,3 40 27

Convém frisar que o melhor horário para fornecer os alimentos é aquele que for capaz de compatibilizar a fisiologia digestiva, o horário dos exercícios do cavalo e a disponibilidade dos funcionários. O melhor lugar de se fornecer os concentrados é no cocho e volumosos na mangedoura ou em sacos especiais.

Cuidados na alimentação

Apesar do grande desenvolvimento observado na eqüinocultura brasileira, existem muitos erros que podem comprometer a performance do cavalo atleta e - pior ainda - induzir à ocorrência de cólica. Por isso, lembramos que:
- Nada deve ser adicionada à ração balanceada, por isso é chamada de balanceada. Tudo que for acrescentado, principalmente os minerais (sal mineral) altera o equilíbrio do produto.
- Não se deve misturar no cocho alimento concentrado com alimento volumoso. Ou ele come só capim ou só ração. A mistura só é aconselhável aos bovinos que são animais ruminantes.
- Não se pode acrescentar ração nova nos cochos sobre sobra de alimentos da última refeição.
- Não usar suplementos vitamínicos, minerais, energizantes e "milk-shakes" sem receita médica. Qualquer produto "embalado", isto é, vendido por laboratório só deverá ser fornecido ao cavalo com ordem escrita do médico veterinário.
- Não esquecer de manter o bebedouro sempre com água limpa, retirando-se restos de alimentos que o cavalo deixar cair no local quando toma água.
- Na hora de medir o alimento a ser fornecido aos cavalos, não confundir peso com volume. Assim, deve-se primeiro verificar o peso junto com o técnico responsável e depois, se quiser, usar um recipiente para distribuir o alimento ao animal. Não se deve dar a mesma quantidade de ração no dia de folga dos cavalos. O correto é reduzir quantidade de ração pela metade, mantendo-se apenas a quantidade de volumoso.
- O cavalo não é naturalmente um animal predisposto às cólicas. Os erros do homem é que provocam a sua ocorrência.

Nunca é demais lembrar, para quem estiver interessado em acompanhar as atuais tendências observadas no mundo do cavalo, criando modernos centros hípicos ou adaptando instalações existentes, que planejar é pensar antes de fazer. Por isso, são imprescindíveis os trabalhos prévios de elaboração de um fluxograma operacional, ou adequado dimensionamento das edificações, a definição de um sistema construtivo racional e o estabelecimento de um eficiente e balanceado programa nutricional, que priorize a utilização de alimentos regionais.

Considera-se altamente favorável à difusão deste novo conceito de alojamento e manejo de animais no diversos pontos do país, que sem dúvida contribuirá para a redução dos custos de implantação de obras necessárias e manutenção dos animais. Assim, um número cada vez maior de pessoas poderá desfrutar dos inúmeros benefícios e das experiências gratificantes que as atividades ligadas ao cavalo proporcionam.

Email:
Senha:


Esqueci Senha
Cadastre-se
Receba as notícias
© 2001 - 2013 Criar e Plantar - Todos os direitos reservados