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Casqueamento

A correção de aprumo significa mudança permanente de conformação e não pode ser feita em cavalos maduros. De fato, essas tentativas de correção em eqüinos adultos causam manqueiras imediatas, assim, como, defeitos permanentes em longo prazo.

Alguns problemas de conformação podem ser corrigidos em potros e os que nascem com aprumos corretos podem ser mantidos assim. Muitos potros que possuem boas pernas podem se tornar tortos por negligência ou casqueamento impróprio. O segredo de quando e como tentar corrigir pelo casqueamento é ter conhecimento das estruturas chamadas de Placas de Crescimento, que são localizadas perto do final de cada osso na perna do cavalo. Estas placas produzem células que crescem e se alinham de uma certa maneiras, quando se inicia a ossificação, que é a formação óssea. Enquanto as placas estão produzindo cartilagem, são consideradas "abertas", e uma vez que a produção pára, são denominadas "fechadas" e o crescimento pára nesse ponto.

As forças sobre estas placas são muito importantes na determinação da conformação e estrutura do cavalo. Pressão normal, equilibrada e constante sobre as placas resultam em um crescimento correto. Portanto, uma pressão desequilibrada possibilita um crescimento errado.

Nos casos dos potros com desvio de aprumo, às vezes, é necessário confina-los. Se ele for confinado, o membro tende a se endireitar por si próprio. Se o potro com desvio, for submetido a excessivos exercícios, como, por exemplo, correr atrás da mãe em um pasto grande, a compressão que ocorre sobre as placas excede o normal e o problema se intensifica.

Quando se cuida de potros, e extremamente importante manter a pressão natural nas placas de crescimento. Para isso, o trabalho do ferrador é essencial.

Antes de fazermos correções, devemos ter certeza de que o potro realmente precisa, sendo recomendado que essa análise seja realizada por um ferrador experiente ou por um médico veterinário especializado na Área de Aprumos. Um detalhe que se deve levar em conta é o fato de que não é natural para os cascos de um potro apontar direto para frente.

Os cascos devem estar virados para fora entre 10 e 15 graus, bem como alinhados com a face plana do joelho. Isso porque com o desenvolvimento do tórax, as escápulas vão se distanciando uma da outra, fazendo os membros girarem para dentro.

O erro é que grande parte dos criadores, veterinários, ferradores, treinadores e juízes querem que os potros estejam retos desde pequenos e fazem correções para endireita-los, o que não é natural. Quantas vezes já ouvimos dizer: "Meu potro tinha aprumos perfeitos, mas quando cresceu, as mãos (membros anteriores) viraram para dentro".

O programa para se manter as pernas (membros anteriores e posteriores) ou para se corrigir desvios de conformação, envolvem três fatores:

1. Deve-se iniciar o casqueamento do potro com poucos meses de idade. Porque o fechamento das placas termina ao redor de seis meses (esse tempo é baseado em radiografias), porém elas podem se fechar antes. O crescimento é muito ativo durante os primeiros cem dias de vida e a produção de cartilagem diminui, conforme se aproxima à época em que ocorre o fechamento das placas. Isso nos leva a crer claramente que a conformação do cavalo pode ser permanente aos seis meses ou menos de idade e, aí, nenhum tipo de casqueamento ou ferrageamento mudará esse quadro. A maioria dos veterinários e ferradores recomenda o casqueamento no primeiro mês em potros normais e nos primeiros 15 dias nos quais apresentam desvios.

2. O casqueamento deve ser feito freqüentemente. Potros com até um ano de idade produzem o dobro de parede do casco que o cavalo maduro. Conforme o casco fica mais comprido, ele se quebra com maior facilidade. Se um lado co casco se quebra, ele terá um desequilíbrio e causará uma pressão desigual nas placas, podendo alterar a conformação. É recomendado casquear os potros normais a cada 15 dias até normalizar os defeitos, quando passam a ser casqueados a cada 30 dias.

3. É preciso haver um equilíbrio apropriado para o casco. Um casco bem equilibrado distribui o peso igualmente e absorve o impacto de uma maneira uniforme.

Esse fator é extremamente importante e pode ser obtido em cavalos de qualquer idade. Note bem a diferença: os aprumos só são corrigidos em potros, porém a forma do casco não tem limite de idade para se efetuar as mudanças. Para se corrigir e manter o casco equilibrado é muito importante sempre deixar os talões na mesma altura, não importando o desvio que tiver. Uma prática antiga, de deixar um talão mais alto para corrigir defeitos, funciona apenas para enganar o olho e deformar o casco.

Quando se deixa um talão mais alto, ele recebe mais impacto e isso força a corroa para cima e a pinça em diagonal abre, forçando as lâminas a se romperem.

É importante lembrar que o casco é vivo e em constante movimento. Se pegarmos os talões com as mãos, conseguiremos movimenta-los. Imagine os cascos correndo, quando movimento deve ter nele? Um estudo realizado pela Universidade de Cornell mostra que o casco viaja a uma velocidade de aproximadamente 96 km/hora e bate no chão com o peso até uma tonelada por centímetro quadrado. Em cavalos selvagens, o choque deste impacto é absorvido pela expansão do casco, a compressão do sangue bombeando o sistema hidráulico dentro do casco e o movimento das pinças, naturalmente arredondadas. Por isso, é virtual manter a integridade das estruturas e equilíbrio do casco.

As correções devem ser feitas na pinças, assim mudando a ponta de quebra, sem mudar o apoio dos talões. Se você mudar a direção do ponto de quebra, conseguirá mudar a direção do crescimento.

Deve-se casquear o potro normalmente, deixando os casco planos e equilibrados. Feito isso, divide-se o casco bem no centro e grosar a pinça em linha reta, passando um (1) cm do centro, na direção que você quer conduzir o casco a crescer. Ou seja, se o casco está virado para dentro, corta-se do lado de dentro e vice-versa.

Este tipo de correção funciona na maioria dos casos, se for feito quando o potro é bem novo. Em casos mais graves, será necessários o uso de ferraduras com extensão.

Um casco desequilibrado está predisposto a uma manqueira, e cada vez que se casqueia, deve ser dada atenção especial ao equilíbrio. Muitos ferradores e veterinários deixam as pinças quadradas quando casqueiam potros novos. Isso força um potro de quebra centralizado, um casco mais reto e um vôo (quando o casco deixa de se apoiar no solo durante todo o movimento para frente) e aterrissagem mais balanceado.

Este programa afetará as articulações da quartela para baixo. Não há nenhuma evidência de que o casqueamento corretivo influencia as articulações do joelho ou jarrete, porque existem três articulações que absorvem as mudanças antes de atingir o joelho.

Os cuidados com os cascos do cavalo

Um estudo feito pela América Farriers Association, associação americana que controla o trabalho sobre ferrageamento nos EUA, mostra que mais de 80% das manqueiras das partes baixas dos membros e dos cascos são causadas por "negligência e falta de cuidados". O pior é que a maioria das pessoas teria feito algo para isso não ocorresse, se soubessem que tinham problemas com seus animais.

Não importa qual o propósito de se ter um cavalo, ele é um investimento. Sua vida útil ou quanto tempo você usará este animal é um retorno em longo prazo no seu investimento. Se você não se preocupar com os cuidados dos cascos, poderá perder seu investimento rapidamente. A utilidade, a performance e a resistência podem acabar, isto sem mencionar a perda de vontade de trabalhar e cooperar com você. O animal até poderá se tornar agressivo. Imagine:

- Você está com os pés doloridos e mesmo assim gostaria de andar com alguém nas suas costas?
- Como proprietário você precisa ter conhecimento suficiente para saber se o seu cavalo está tendo a atenção necessária. A seguir, descreve-se alguns itens para se pensar:
- Os cascos crescem constantemente e precisam de atenção regularmente. Muitas pessoas deixam o cavalo sem cuidar durante vários meses e só lembram de casqueá-los, quando vão de férias e querem monta-los. Outros mandam ferrar o animal e só trocam as ferraduras quando caem. Você não pode utilizar esse tipo de manejo, sem pagar conseqüências caras no futuro.
- Aprenda o máximo que puder sobre cascos. Quando mais você entender, será melhor para você, seu cavalo e ser ferrador.
- Eduque seus potrinhos. É importante amansa-los, nas primeiras horas de vida, para que eles fiquem permanentes dóceis. É impossível fazer um bom casqueamento se o cavalo está pulando e dando coices. O ferrador não está sendo pago para amansar cavalos.
- Não confunda a responsabilidade do ferrador com a do veterinário. Em casos de doenças, chame o veterinário e, se a doença for relacionada com o casco, o ferrador e o veterinário devem trabalhar juntos.

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