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Sendo o Brasil um país de grande extensão territorial e que conta com um clima privilegiado para o crescimento de plantas herbáceas, temos condições excelentes para um bom desenvolvimento da pecuária. Em vista disso, a formação de boas pastagens assume real importância, tornando-se a melhor opção para a alimentação do rebanho nacional, já que além de se constituir o alimento mais barato disponível, oferece os nutrientes necessários para um bom desempenho dos animais.

A produtividade da agropecuária brasileira é reconhecidamente baixa, os índices zootécnicos alcançados pelos nossos rebanhos são bastante preocupantes, principalmente se considerarmos que o país possui excelente material genético e dispõe de tecnologia comparável ao que há de mais moderno nos países mais ricos e desenvolvidos.

Ao se analisar essa pequena produtividade, deve-se levar em conta que a produção de carne ou leite está diretamente relacionada na maior parte das vezes, sujeita - aos fatores climáticos e ao nível zootécnico do rebanho médio nacional. A dependência climática tem ação decisiva sobre a produção de forragens ao longo do ano e sobre a performance do rebanho, provocando, inclusive, oscilação na oferta de produtos pecuários no mercado.

As pastagens tropicais, devido a maior quantidade de energia luminosa, a sua distribuição é a própria fisiologia (capacidade fotossintética etc...) das espécies forrageiras, são quase duas vezes mais produtivas que as pastagens de clima temperado. Ocorre que a produção de massa verde das plantas forrageiras tropicais concentra-se no período quente e chuvoso do ano (outubro a março), com 75% do total. Nessas condições de produção só será possível ao criador manter o gado eu regime de pasto durante o ano todo se a lotação da pastagem for regulada pelo mínimo de produção de forragem.

Ou seja, temos um excesso de pastagem no verão que é desperdiçado e no inverno a produção de forragem não acompanha a necessidade de nutrição de animais. É preciso que utilizemos as técnicas já disponíveis e que desenvolvamos técnicas adaptadas às nossas condições para termos o maior proveito possível do potencial de produção que dispomos.

Formação de novas pastagens

A formação de pastagens deve partir de um princípio básico que considera cada propriedade como uma unidade de produção particularizada, ou seja, é necessário que antes de iniciarmos os trabalhos, se tenha um diagnóstico do local e dos recursos naturais disponíveis. Este levantamento pretende levar em consideração fatores como condições climáticas, a capacidade de uso do solo, a declividade do terreno, o tipo de vegetação, a água disponível (em quantidade e qualidade), o acesso a propriedade e a viabilidade da comercialização do produto final do empreendimento. Quanto mais completo for este diagnóstico, mais eficiente será sua implantação e mais fácil será a execução do manejo a ser implantado.

Se tomarmos, por exemplo, trabalhos de formação de pastagens como o desmatamento, o preparo do solo, a escolha da forragem mais adequada ou mesmo a escolha da espécie (e/ou raça) a ser criada e o próprio manejo da criação, veremos, ao analisar cada um deles, que a tomada de decisão da forma como conduzi-lo depende do conhecimento anterior dos fatores com os quais teremos que trabalhar e dos quais devemos tirar partido.

Altas produções de leite carne e lã estão condicionadas a alimentação. Entretanto, o rendimento das forrageiras em quantidade qualidade está intimamente ligado, dentre outros fatores, à fertilidade do solo.

Um pasto é constituído por uma associação de numerosas espécies vegetais que concorrem entre si, pela ocupação do terreno.

Se não houver auxílio (tratos culturais, adubação, etc...) às plantas úteis, elas tendem a desaparecer progressivamente, sendo substituídas pelas espécies inúteis (invasoras). Quando a pastagem se encontra em adiantado de degradação, o efeito da adubação será bastante limitado podendo se tornar ante econômico, O mau manejo da pastagem, tanto por sub-pastejo como por super pastejo, também pode mascarar os efeitos da adubação ou mesmo anulá-los. Vários trabalhos mostram que as forrageiras respondem bastante satisfatoriamente a adubação. O esgotamento do solo é uma realidade, não justificando manter as áreas ocupadas por pastagens e capineiras durante muitos anos sem revigora-las. É preciso determinar o momento certo da adubação para que se tenha o resultado esperado e isso só será possível se estivermos acompanhando o desempenho da pastagem com constantemente, procurando sempre mantê-la em equilíbrio.

Escolha das espécies forrageiras

Através da identificação criteriosa das características da propriedade e das plantas bem adaptadas pode-se chegar a uma situação bem próxima da ideal, ou seja, adequada as necessidades de cada rebanho.

Características a serem observadas

- Adaptação (fertilidade, clima e regime de chuvas)
- Resistência ao pisoteio
- Resistência ao frio e geadas
- Produtividade (produção da massa verde)
- Resistência às pragas
- Resistência ao fogo

Vedação de pastagens

- O início da vedação pode dar-se em fevereiro e março
- Não se deve dar forrageiras que percam rapidamente o valor nutritivo. Ex.: colonião e Jaraguá, já as braquiárias não perdem o valor nutritivo.

Altura, em centímetros, das plantas quando o animal sai do pasto
(por causa do meristema apical) 

- capim elefante

30 a 40 cm

- capim colonião

25 a 35 cm

- braquiárias

20 cm

- coast cross e pangola

10 a 15 cm

O clima ajuda bastante, mas não influi mais sobre a produtividade das pastagens.

Período de descanso

- capim elefante:

descanso de 45 dias

- capim colonião:

descanso de 35 a 40 dias

- braquiárias:

descanso de 30 a 35 dias

- coast cross:

descanso de 25 a 30 dias

Divisão das Pastagens


O nº de piquetes varia em função de:
- Extensão da propriedade;
- Tipo de exploração. Ex.: gado de corte;
- Área e natureza das pastagens (nativa ou formada);
- Número e tamanho dos lotes por categoria de animal;
- Disponibilidade de aguadas;
- Sistema de pastejo (rotacional).

Capacidade de suporte

- Pastagem formada:

de 1,5 a 2,5 (unidade animal) ha/ano

- Pastagem nativa:

de 0,3 a 0,5 (unidade animal) ha/ano

Obs.: Uma unidade animal = 400 Kg de peso vivo (consumo de forragem/dia/UA =60 Kg.)

Principais espécies forrageiras

Capim colonião

- adaptação a solos arenosos de boa fertilidade
- baixa resistência ao frio
- reprodução tanto por muda como por semente
- boa resistência ao pisoteio
- manejo com melhor aproveitamento não inferior a 40cm e não superior a l,5m.
- produtividade de 40 a 50 ton. de massa verde/ha/ano em 3 ou 4 cortes/ano, podendo chegar entre 180 e 200 ton. adubando.

Brachiaria decumbens

- alta resistência à seca
- bastante agressiva, boa para controle de erosão
- responde bem a adubação
- manejo: entrar com os animais com a altura da planta entre 30 e 40 cm e retirar com 10 a 15 cm, com descanso 15 dias
- boa resistência ao pisoteio.

Brachiaria humidícola

- resistente ao pisoteio
- tolerante ao ataque de cigarrinhas
- bastante agressiva
- mais exigente que a decumbens quanto à qualidade do solo
- usada para eqüinos.

Brachiaria Ruzziziensis

- menos agressivas que as outras
- não é exigente em fertilidade, mas responde bem a adubação
- resistente a alta pluviosidade.

Setária Kazungula

- grande resistência à seca
- tolera baixas temperaturas, mas não a geadas
- solos de textura médias e férteis
- manejo de 50 cm até 10 cm (não deixar atingir alto grau de maturação)
- elevada palatabilidade
- sofre ataque de cochonilha.

Capim Rhodes

- boa agressividade e ocupação do terreno
- boa resistência ao fogo
- boa resistência ao pisoteio
- não tolera frio intenso, nem terrenos úmidos
- solo de textura média de razoável fertilidade
- usar manejo baixo (30cm até 10 - 15 cm)
- sofre ataque de cochonilha.

Capim elefante

- resistência relativa ao frio, fogo e seca
- baixa resistência à geada
- manejo como pastagem - 70 a 80 cm até 30 cm
- manejo como capineira: 1,30 a 1,50 m até 15 a 20 cm
- idade de maturação 100 dias
- plantar as mudas com 15 cm de profundidade, com 50 cm até 1,0 m de espaçamento.

Capim Jaraguá

- curto período de aproveitamento
- alta resistência ao fogo, pisoteio e solos fracos
- pouco tolerante a secas e baixas temperaturas

Capim gordura

- baixa produtividade
- resistente a solos fracos
- não tolerante ao fogo, pisoteio e a seca
- bom para terrenos com alta declividade.

Andropogon

- crescimento lento
- bastante produtivo e palatável
- resistente à seca e ao fogo
- alta resistência à cigarrinha
- não exigente eu qualidade de solo

Manejo de fogo

desvantagens:
- aumenta perdas pela erosão e expõe o solo
- aumenta a evapo-transpiração (perda de H2O do solo)
- perda de matéria orgânica sobre o solo

Pragas das pastagens

As pastagens são atacadas por um grande número de pragas, que reduzem sensivelmente sua produção.

Cuidados no controle das pragas

- carência para eliminação do resíduo tóxico após uso de inseticida químicos
- observar grau de infestação, estágio do inseto, estágio de maturação da pastagem
- evitar inseticidas que deixem resíduos (os clorados são proibidos por lei).

Principais pragas das pastagens

Cigarrinhas

- atacam por sucção da seiva
- causam maior estrago no período das águas
- controle químico deve observar 30 dias de período de carência
- o manejo baixo expõe as formas jovens ao sol devendo ser utilizado
- o fogo é um bom manejo para controlar a infestação
- o controle biológico através do fungo, inimigo natural da cigarrinha, produz efeitos bastante satisfatórios. Este fungo é encontrado no mercado nacional com facilidade

Cochonilhas

- são insetos sem asa que sugam a seiva do capim
- o manejo do fogo e pisoteio não são eficientes no seu controle
- o controle biológico por fungos é eficiente. Também o desenvolvimento de um inseto, seu inimigo natural, é bastante eficiente. Este inseto pode ser encontrado no instituto biológico de São Paulo e chama-se Neodusmetia Sangwani
- o controle químico, embora mais caro e perigoso, também é bastante eficiente no controle desta praga

Sistema de pastejo

Principais objetivos

- proporcionar ao gado alimentação mais regular e nutritiva durante o ano todo
- aumentar o rendimento forrageiro por unidade de área
- reduzir a degradação da pastagem
- conservar a fertilidade do solo

Pastejo contínuo

Caracteriza-se pela existência de apenas uma pastagem, a lotação é fixa e os animais não deixam a pastagem em nenhum período do ano, por isso o aproveitamento é pequeno e irregular.

Pastejo alternado

Consiste na utilização de duas invernadas, enquanto uma está sendo usada, a outra permanece descansando.

Pastejo protelado

Como o próprio nome diz, protela-se, adia-se, a ocupação de uma invernada em cada ano, permitindo que a pastagem tenha condições de sementear. Depois da sementeação a parcela recebe os animais para bater a vegetação existente e enterrar as sementes. Recomenda-se a divisão em no mínimo 3 parcelas.

Pastejo rotativo

Aqui, o número de parcelas é bem superior e o gado passa, sucessivamente, em cada uma até retornar à primeira, já suficientemente descansada. O número de animais por unidade de área é maior. A observação da área é fundamental. Na maioria dos casos leva a necessidade de suplementação no período da seca.

Pastejo em faixas

Caracteriza-se pelo consumo diário de apenas uma faixa pasto, limitado por uma cerca móvel, de preferência elétrica.

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